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Aqueles balões são meus filhos

sexta-feira, abril 03, 2015

Me lembro quando as crianças eram pequenas, como era difícil comprar roupas, ir ao supermercado e outras coisas, sem que eles saíssem correndo e eu atrás deles com medo de perdê-los...

Eu tenho um casal. A menina é mais velha e em seguida vem o menino. A diferença de idade entre eles é de dois anos. Me lembro que essa fase de localizá-los através dos balões foi desde os dois anos de idade do meu menino até os seis anos dele. Quando isso terminou, minha filha já tinha oito anos e não fazia questão do balão.. Foram quatro anos usando a técnica de localizá-los através dos balões.

Então para comprar calcinha, cueca, roupa de frio, de calor e calçado, eu preferia ir à uma loja de departamento que tem tudo... Inclusive shampoo, meias e etc...

Você chega na loja de departamento e as crianças ficam encantadas. Para elas é um mundo. Adoram brincar de esconde esconde nas araras de roupas, apostar corrida no corredor, subir as escadas rolantes que estão descendo e descer as que estão subindo, provar todos os perfumes, dançar a música que está tocando...



Crianças são mais baixas que as araras. Se eles começam a se distanciar de você, se esconder no meio das araras, você que está escolhendo uma roupa, olha por toda a loja e não vê seus filhos. Você dá aquela geral, aquela olhada de radar de mãe e não vê seus filhos. Que desesperoooooooo... De repente eles aparecem. Um te agarra por trás e outro grita:  "Booo!" -  você leva aquele baita susto e não sabe o que faz. Se esgana as criaturas porque te assustaram ou se abraça de alívio por  terem aparecido.

E criança quando vai ao shopping quer tudo. Sempre me pediam aqueles balões laminados, que tem gás hélio e os mesmos ficam querendo voar, ir para o céu. Só que esses balões são muito caros. Outro dia andando pelo shopping vi o preço de um: R$45,00, é mole? Mas na época era uma vez a cada estação e valia muito mais a pena comprar dois balões do que levar uma babá a tiracolo. Aliás, babá foi uma coisa que nunca tive. 

Um belo dia tive uma idéia. Comprei esses balões que eles tanto me pediam. O vendedor de balões me instruiu a amarrá-los no braço das crianças, para que os balões não subissem e as crianças os perdessem. Alguns balões vem com a argolinha para que a criança segure. Tem vários modelos: da Hello Kitty, Meninas Poderosas, Nemo, Ben 10, etc... Na época de minhas crianças, Bárbara adorava a Menina Poderosa Verde, que é a Docinho. E meu menino era louco pelo Homem Aranha.







              
                           






Então comprei dois balões. Um para cada um. Mas eu tive uma idéia melhor. Amarrei a cordinha no passante da bermuda deles. 

- Podem correr a loja toda, mas não podem perder o balão, ok? - eu disse. - Cuidem muito bem deste balão para ele não voar. Quando a mamãe terminar de comprar tudo, quem estiver com o balão inteiro, vai ganhar sorvete do Mc Donald´s. Por isso vocês não podem ficar brincando de esconde esconde no meio das roupas, senão pode cortar a cordinha do balão e ele vai embora.

 - E assim eles ficavam andando a loja toda. Claro que eu avisava o segurança: 
- Por favor, não deixe as crianças saírem ok? Estou olhando-as através destes balões.

E é claro que eu fazia isso numa segunda ou qualquer outro dia da semana numa manhã, ou à tarde, quando o movimento do shopping é mais tranquilo e as lojas estão praticamente vazias. 

Eu também avisava que não podia sair daquele andar, subir ou descer as escadas, porque nas escadas havia o homem do saco preto.  Fazia o maior terrorismo, eu dizia que o homem do saco preto quando era criança, tinha muita vontade de ter um balão desses, só que a mãe dele nunca teve dinheiro para comprar, então quando o homem do saco preto via uma criança com balão que voa, ele pegava a criança, botava dentro do saco, amarrava o saco com a cordinha dos balões e soltava. Aí o balão ia subindo e levando as crianças para o céu.

Kkkkkkkk. Não sei de onde eu tirava essas coisas. Só sei que as crianças me obedeciam e ficavam pela loja passeando com os balões. Eu escolhia roupa para a Bárbara, para o Ives e para mim super tranquila. De vez em quando dava a geral na loja para ver onde eles estavam. Avistava o balão da Docinho, era a Bárbara. Avistava o balão do Homem Aranha, era o Ives. Hehehehehe. Claro que durante a época dos balões, tiveram outros personagens.

Hoje eles estão crescidos e quando conto essas histórias, eles morrem de rir....

E quando a gente saía do shopping meio tarde, que o pessoal da coleta de lixo estava recolhendo os lixos em sacos plásticos da cor preta, eles grudavam em mim e falavam:

- Nossa, quanta criança que desobedeceu a mãe. - Bárbara dizia.
- Bem feito. Não obedeceu. - tinha que ser o Ives.

Na estrada, eram mil perguntas:

- O Homem do saco preto nunca vai devolver as crianças?
- Como vão ficar com eles sem escova de dentes?
- Ele tem calcinha e cueca lá?


Eram muitas perguntas.
Até quando íamos para a praia que passavam pessoas coletando latinhas de cerveja com saco de sanito preto, eles vinham correndo e gritavam: "Mamãe, o homem do saco preto vem vindo."

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