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Mãe que usa APITO e MEGAFONE

sábado, maio 09, 2015

Depois do meu post "Aqueles balões são meus filhos", vamos a um novo.

Enquanto eles eram pequenininhos, tinham medo do homem do saco preto, do lobo mau, do bicho papão e nunca saíam de perto de mim.

Eles vão crescendo e esse medo vai desaparecendo. Já não querem segurar na sua mão. Quando chegam em algum lugar, saem correndo para ver tudo, como se nunca tivessem saído de casa. 

Íamos ao shopping e sempre que viam algo interessante, corriam. Se eu dissesse que íamos lanchar no Mc Donald´s, já saíam em disparada apostando corrida para ver quem chegava primeiro. Brincavam de pega pega também, trombando nas pessoas que passavam. Muitas vezes entrei na brincadeira até que eles não quiseram mais brincar, porque todas as pessoas ficavam olhando.  

E quando eu gritava, corria atrás, pedia desculpas às pessoas quando eles trombavam com elas? As pessoas não ficavam olhando? Eu não pagava mico? Lógico que eu percebia todo mundo olhando pra mim e se perguntando:

- Que mãe mole é essa? Chama, chama e as crianças não obedecem.
- Que mãe escandalosa. Os filhos nem a respeitam...

Só quem está na pele é que pode dizer como é horrível você não saber o que fazer com seus filhos na fase dos 2 aos 6 anos, quando eles tem uma energia que parece que não acaba nunca.
Você fica pensando se dá uns berros ou fica quieta. Se grita, é porque não tem autoridade, os filhos não te respeitam.
Então a vontade de dar um tapa na bunda faz sua mão coçar. Mas se você dá um tapa ou uns chacoalhões, você é uma mãe espancadora e torturadora. Ainda mais nos dias de hoje, em que todo mundo tem um celular prontinho para filmar qualquer deslize seu. Se você tenta convencer a crianças com uma conversa, sempre tem alguém te olhando com aquele olhar: "Falta de uns tapas. Isso sim." - É uma saia justa tremenda.

Só sei que eu já estava de saco cheio de chamar, chamar e ninguém me ouvir...

Um dia fui à uma loja de esportes aqui da minha cidade comprar um maiô para nadar e enquanto a moça emitia a nota e colocava o maiô na sacola, eu vi um apito. Hehehehe. Apito de professor de educação física sabe?

Comprei...

Chegando em casa, mostrei para as crianças minha aquisição toda, toda. Estava me sentindo o máximo:

- Olha o que a mamãe comprou. - eu disse toda orgulhosa mostrando o apito.

- Pra quê isso?
- Pra quando saírmos e vocês começarem a correr, eu não ficar mais feito uma doida gritando. Só vou apitar uma vez e quero os dois juntos de mim. Se não chegarem até eu contar até ___. Aí nós vamos conversar. - Eu usava sempre o número da minha idade. Rsrsrsrsrs. Cada ano aumentava um número.
- Ah duvido - Bárbara, desafiou.
- Eu também. - disse Ives que sempre ia no vácuo da irmã.
- Duvidam? Vamos ver o que acontece.

Um dia, eu ainda era casada, decidimos viajar para Porto Seguro. Nosso embarque era em Guarulhos. Eles nunca tinham andado de avião. Estavam eufóricos. Enquanto esperávamos o embarque, eles corriam para todos os lados. De repente senti falta deles. Soprei o apito e todo mundo olhou em minha direção. Só que eu já tinha escondido o apito e estava lá, chiquérrima lendo minha Caras como se nada tivesse acontecido. Até que os dois chegaram vermelhos:

- O que foi mamãe? - perguntou o Ives.
- Chegamos rápido né? - Bárbara comentou.
- Nem chegou no 29. A gente veio correndo mamãe. - Ives justificando.
- Muito bem. Tá vendo como eu ia usar o apito? Vocês duvidaram...

Eles ficaram com tanta vergonha e não saíram mais de perto de mim até a hora do embarque.


A viagem foi ótima. Todos os dias íamos à praia. Eles adoram água. Eu entrava um pouco, depois ficava com o marido ali na barraquinha, embora eu quisesse mesmo era ficar na água, brincando com a dupla.

Da barraca eu conseguia vê-los. Mas sabe quando o mar vai levando, vai levando e eles já não estão em frente à barraca? Aí eu me levantava, apitava. Eles olhavam pra mim e eu esticava meu braço direito do lado, na mesma direção do ombro e trazia o mesmo à frente do meu corpo. Fazia esse gesto várias vezes até que eles vinham caminhando para ficarem em frente à barraca. Isso aconteceu todos os dias. Algumas pessoas do nosso hotel, que faziam os passeios com o mesmo ônibus que nós, diziam:


- Que idéia brilhante mãe.
- Desta vez foi pênalti?
- Cartão vermelho ou amarelo?

Usei esse apito uns 3 ou 4 anos. Usei no clube quando avisava que ia embora e eles saíam correndo em direção ao tobogã com os coleguinhas. Era só eu apitar, que todos voltavam mortos de vergonha.

Então o apito começou a perder seu efeito educador... Quando eu apitava que os amigos olhavam, Bárbara ou Ives diziam:

- Liga não. É minha mãe chamando pra ir embora. Finge que não escutou.

Isso começou a me irritar.

Um dia fui buscá-los na escola e a professora que ficava no portão usava um megafone para chamar as crianças de acordo que as mães iam chegando. Já sabem a idéia que tive né?


Chegando em casa resolvi dar uma busca no Mercado Livre. Digitei Megafone e apareceu muitos. Aaaahhhhhhhh. Minha vingançaaaaaaaaa. Escolhi um modelo recarregável, já que iria usar muito. Comprei. Claro que não contei nada até a encomenda chegar.

Quando chegou:

- Crianças, olhem o que a mamãe comprou. - mostrando minha aquisição toda orgulhosa.

- O que é isso? - Bárbara perguntou.
- Um megafone que nem aquele da escola. - respondeu o Ives.
- Mas porque você comprou um megafone? 
- Porque percebi que o apito não está adiantando mais. Então, a partir de hoje vou levar o megafone e vou chamar uma vez só, se não obedecerem, pensam que vou ficar apitando, correndo atrás e gritando feito uma louca? Chamo uma vez só. Se não chegarem até eu contar até 30, eu uso o megafone. - Eu parei nos 30. Até hoje conto até trinta. Rsrsrsrsrs.
- Você não tem coragem de fazer isso. - Bárbara disse. 
- Tá bom vai. Duvido. - Ives completou.
- Duvidam? Isso é o que vamos ver. - desafiei.

Férias chegaram, eu não trabalhava fora, adorava crianças... Adivinhem qual casa que as crianças queriam iam para brincar? A minha. Eu morava em chácara com tanque de areia, casinha de boneca de tijolo com pia que saía água de verdade, parquinho com casinha do Tarzan, piscina e a tia aqui que assava de dois a três pacotes de pão de queijo, servia de duas a três garrafas de refrigerante de 2 litros e usava entre 5 e 6 latas de leite moça para fazer brigadeiro. Adivinhem quem levava entre 3 e 5 crianças, sem contar os meus, para passar o dia no clube? Euzinha..

Quando estávamos na chácara, era uma algazarra só e eles se divertiam comigo usando o megafone. Como chamar 7 crianças para lanchar? Como chamar a atenção do Arthur que estava levando o irmão dele para o fundo da piscina sem bóia? Do Gustavo que dava brigadeiro para minhas cachorras? Das meninas que não deixavam os meninos brincar na casinha porque eles não ajudavam a limpar depois? O megafone poupava muito a minha voz.

Semana de clube, coloquei o megafone no carro e eles começaram:

- Para vai. - já falou Ives, o homem da casa. Eu já era separada.
- Você não vai usar isso. - Bárbara desesperada já.
- Tá fazendo graça. - Ives diz isso até hoje.
- Se vocês obedecerem, não vou usar.

O clube sempre foi bom depois do apito. Eles estavam numa idade que já sabiam nadar e eu conseguia nadar meus mil e duzentos metros tranquila, conversar com as pessoas e tomar sol. Claro que quando eu estava naquele vai e vem nadando, eles adoravam me irritar passando por baixo de mim ou pulando na minha frente bem na hora da braçada para respirar. O toboágua abria sempre às 11h30 e eu nunca entendi isso. Porque depois das 10h00 não é aconselhável tomar sol, certo? Como passar protetor solar em 7 crianças?

O toboágua abria e eu ia brincar também. Quando olhava o relógio e percebia que estava próximo do meio dia, começava a chamá-los para se secarem, se arrumarem e irmos embora. Eu costumava sair do clube sempre ao meio dia e meia. Teve dias que chamei várias vezes, pois para ser sincera, eu estava com um pouco de vergonha de usar o megafone. E eles perceberam isso. Aproveitaram essa deixa por uns dias, até que criei coragem. Era um sábado de manhã, clube estava lotado e depois que desci minha última vez do toboágua eu disse:

- Agora chega. Vou esperar vocês lá na mesa. Desçam só mais uma vez e depois vão se secar, tudo bem?

Eles obedeceram? Eu já estava vestida, tinha reunido todos os chinelos, toalhas, bóias e nada dos pestinhas.

Eis que liguei o megafone e comecei: 


- Atenção Bárbara, Thaís, Sofia, Ives, Arthur, Stéfano e Gustavo. É hora de irmos embora.

Imaginem o clube todo olhando pra mim e eu lá, com o megafone:


- Vou contar até trinta para vocês estarem prontos. Senão vou embora e deixo vocês aqui.

As pessoas olhavam incrédulas. Umas riam outras perguntavam de onde eu tinha tirado a idéia, e quem me conhecia dizia:

- Só podia ser você Ângela.

Eu eu lá contando:

- Um, dois, três...

Daí vejo a pirralhada correndo em minha direção. Ives chegou primeiro:

- Já cheguei. Agora para.- ele pediu.
- Quatro, cinco... - eu contando.
- Mamãe. Tá todo mundo olhando. Para. - Bárbara e as amigas queriam morrer.
- Seis, sete... - só parei de contar quando todos chegaram.

Deste dia em diante, não precisei chamá-los mais que uma vez. Hehehehehe.

Ah, esqueci de contar, que no meu carro, eu instalei a sirene de alarme da minha casa. Siiiiim. Toda vez que ia buscá-los, nunca apareciam no horário combinado. A desculpa: "A gente não ouviu a buzina."
Buzina de Eco Sport era tudo igual.

Um belo dia, cheguei no karatê para buscá-los e eles não estavam na frente me esperando. Estavam lá dentro brincando de pega pega no tatame. Isso me irritava. Pois a rua era ruim de estacionar, eu tinha que descer, andar uns longos metros, pois só tinha lugar para parar o carro bem longe e ficar feito uma idiota chamando para virem embora. Então, meti o dedo no botão da sirene e fiquei lá. A sirene parecia de polícia.

Todos saíram para ver o que estava acontecendo. Quando meus filhos me viram, eu desci o vidro e disse:

- Let´s go.

Vieram pianinho. Entraram no carro:

- Quando você colocou essa buzina? - Bárbara quis saber.

- Semana passada. - respondi.
- Você nem falou pra gente. - Ives reclamou.
- Eu quis fazer surpresa. Vocês gostaram? - perguntei.

Pelo silêncio e falta de resposta, pude perceber que não.

- Agora não tem mais como não escutar a buzina né crianças? Agora toda vez vocês vão ouvir a buzina e chegar na hora certa, certo?


Mais uma vez silêncio e falta de resposta. Hehehehehehe.

Hoje ainda uso o megafone às vezes. Mas para eles escutarem de onde vem o som e saberem onde estacionei o carro.




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