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Não posso competir com o pai dos meu filhos

quinta-feira, abril 28, 2016

Desde minha última postagem, ando um tanto chateada. Os sintomas de tristeza profunda, desânimo e baixa auto-estima, duraram mais que duas semanas, mas já estão indo embora. Tinha dias que o desânimo era tanto, que não tinha vontade de sair da cama...

Fui ao psiquiatra e o diagnóstico: depressão. Quase surtei. Eu tive depressão pós parto e foi horrível. Mas essa depressão tinha motivo: eu tinha um bebê minúsculo que dependia exclusivamente de mim e eu não tinha idéia do que fazer. Mas agora? 

Sempre tive em mente que depressão é algo da sua cabeça, que você tem que pensar positivo, pensar coisas boas, sacudir a poeira e levantar. Mas não é bem assim. É uma tristeza que chega de mansinho e vai tomando conta de você. Você acha que é apenas um dia triste, que você não está bem. Mas este dia acaba virando semanas e a tristeza só aumenta. Um aperto no peito, uma angústia que não tem como explicar. Resumindo, você experimenta um misto de solidão, tristeza, incapacidade, baixa auto estima, falta de confiança em si mesmo e muito mais. Parece que tudo dá errado pra você, que você não deveria ter nascido, que o mundo está contra você.

Aí vem as pessoas e falam: "Mas tem gente pior do que você. Você anda, fala, escuta, enxerga, não tem deficiência. Você não paga aluguel, não está passando fome, tem filhos saudáveis e blá, blá."
Eu sei de tudo isso e várias vezes me perguntei porque estava sentindo essa tristeza.

Mas me sinto melhor. Pelo menos não estou tão chorona. Consigo levantar da cama , limpar a casa, tratar das cachorras e fazer as atividades corriqueiras normalmente. Claro que não me levanto pulando de alegria. O desânimo continua, me esforço, sigo me arrastando o dia todo, mas sempre em frente.

O que causou isso? Buscando algum acontecimento que tenha me abalado, encontrei: estou desempregada.

Além de estar desempregada parece que meu ex marido faz questão de me humilhar. Sou separada há dez anos e ele nunca aceitou muito bem nossa separação. Depois irei contar o motivo pelo qual me separei.

Desde que nos separamos a guarda das crianças é minha. Não existe ficar um final de semana comigo e outro final de semana com ele. Desde que me separei, as crianças ficam SOMENTE comigo. Eu levo à escola, ao balé, ao piano, ao futebol, ao karatê, ao médico, vou às reuniões da escola, participo de todas as festinhas (inclusive dos pais), ajudo no dever de casa e muito mais.

Quando me separei minha filha tinha quatro anos e meu filho dois. Nem sentiram muito a separação pois durante o casamento sempre fui tudo eu para com eles.

O fato é que agora depois de crescidos o pai aparece e quer levar para passear e ostentar todo o dinheiro que ele tem e eu não.

Já levou as crianças para Maceió, Foz do Iguaçu, Bonito, Capitólio e de vez em quando chama para comer algo fora. Isso me deixa com ciúmes. Quando as crianças eram pequenas e nós ainda éramos casados, ele sempre queria que eu deixasse as crianças com minha mãe quando íamos viajar. Eu discordava. Dizia que queria viajar com meus filhos, para poder curtir e tal. Mas cada viagem era uma briga. As crianças choravam, para comer, para dormir. Na maioria das vezes eu não comia. Morria de inveja quando via um casal e o marido segurava o bebê enquanto a mulher comia. No meu caso ele comia e eu dava comida para as crianças. Depois que as crianças comiam, queriam dormir. Então começava aquela choradeira. Ele se irritava. E eu para não arrumar confusão, tomava o suco, ia para o quarto fazer as crianças dormirem e depois ter sexo com ele. Sim, ter sexo. Pois se não tivesse ficava com cara de merda o dia todo.

Quando as crianças eram pequenas, que choravam e davam trabalho, ele não queria viajar e fazer programas. Porque quer agora depois de crescidos? Ah tudo bem que é bom para as crianças. Pelo menos ele está levando para viajar, elas se divertem e blá, blá. Eu sei de tudo isso.

Mas quando as crianças convidam ele para alguma coisa, ele NUNCA pode porque tem compromisso. Hoje mesmo teve a reunião de formatura do 9o ano do meu filho, e como é
ele quem está pagando, achei que ele deveria ir. Ele disse que hoje não poderia ir porque tinha um compromisso. O compromisso dele é sair para jantar com a namorada. Filho não teria que vir em primeiro lugar?

Mês passado ele comprou um quadriciclo e as crianças foram lá na chácara um sábado de manhã para andar. Claro que eu fiquei morrendo de ciúmes. Estou desempregada e não estou tendo muitas condições de me divertir com as crianças. Faz muito tempo que não viajo com eles. Nossa vida se resume à rotina diária: levar à escola, buscar, conversar na hora do almoço, levar ao inglês, ao tênis de mesa, buscar, levar ao médico, pedir para arrumarem o quarto, pegar o cocô das cachorras, por o lixo pra fora, lavar a louça, ajudar no dever de casa... Eu acabo ficando com a parte chata, sabe?

Bem, foram andar de quadriciclo, eu aproveitei para cuidar das minhas plantas, dar banho nas cachorras, colocar os colchões para tomar sol, enfim, dar uma geral na casa.

Eis que o celular toca e era a Bárbara dizendo que eles tinham caído do quadriciclo, o Ives estava com a perna muito inchada, chorando de dor e se eu achava que precisava fazer um raio x.

Só troquei de roupa, peguei minha bolsa e desci para o hospital. O pai não suporta ficar no mesmo quilômetro quadrado que eu. Ele me odeia.

Muita gente no hospital. Até passar pelo plantonista meu filho ficou no soro para aliviar a dor. Eis que o pai me fala: "Você pode ficar com ele aqui? Porque eu tenho um compromisso. Vou almoçar com a Márcia."

Minha vontade era de falar: "E eu com isso? Ele estava com você e não comigo. Eu também tenho compromisso. Se vira." - Só que se eu fizesse isso, não iria ficar em paz comigo mesma. Antes de qualquer compromisso, eu sou mãe. Fiquei no hospital das 10h30 até às 16h30.

Bárbara sofreu só alguns arranhões e foi ao cinema com as amigas. Eu permiti que ela fosse. Ela se sentia culpada por estar dirigindo na hora em que tombaram. E também ela iria ajudar em quê ficando comigo no hospital se era permitido um acompanhante só?

Chegando em casa às 16h30 do hospital com meu filho, dei banho nele e o acomodei na cama. Não quebrou nada, mas o médico pediu para procurar um ortopedista na segunda para verificar se não havia fraturas ou traumas nos tecidos moles. Até segunda, nada de colocar o pé no chão. E onde conseguir muletas num sábado à tarde? O jeito foi ficar apoiando-o em tudo que ele fazia. Ele passava o braço em volta do meu pescoço, eu passava o braço pela cintura dele e o levava ao banheiro, à cozinha, etc.

Quando terminei de acomodá-lo, tomei banho, tirei as lentes e me deitei para um cochilo. Bárbara me liga do shopping. Estava com dor de cabeça e vomitando. Aiiiiiiiii. Lá vou eu buscá-la no shopping.

De volta ao hospital. Ela tinha batido a cabeça durante a queda. Entrei no hospital às 17h30 e saí de lá às 23h45. Meu filho ficou em casa sozinho e eu no hospital. O pai? Nem ligar ou enviar um whatsapp para saber como estavam.

Tive uma noite horrível. Precisei dormir no quadradinho que fica no meio do quarto dos dois. Precisava ficar de olho para que não tivessem febre, dor de cabeça ou convulsão. Esse foi o alerta do médico. Pois quando se bate a cabeça, precisa vigiar durante 36 horas. 

A semana começou corrida. Ortopedista foi encaixe. Ficamos das 14h00 às 18h00 no consultório. O médico pediu uma ultrassonografia. Isso foi na segunda. Na terça fui ao hospital e consegui encaixe para o exame na quarta.

No final das contas não houve trauma ou fratura das partes moles, apenas um estiramento de dois músculos e o impacto da pancada. A recomendação foi fazer gelo por 15 dias, tomar anti-inflamatório, analgésico e retornar. 
Depois do retorno, saímos do gelo e fomos para bolsa de água quente e massagem com hyrudoid.

Eu precisei faltar do meu trabalho por dois dias para acompanhar meu filho à consulta no ortopedista e no exame de ultrassonografia. Até conseguir um par de muletas, eu o levei de cavalinho todos os dias até sua sala de aula. Dei os remédios, preparei o gelo, a bolsa de água quente, fiz as massagens e ele está bem. Bárbara sofreu com os arranhões, dores no pescoço, na coluna e na cabeça. Também tomou analgésicos durante alguns dias. Foram quase 30 dias de cuidados e vigília por causa de um tombo simples.



E o pai? No início ele achou que eu estava exagerando, que tinha sido uma queda simples. Sim, foi uma queda simples mas que me causou um transtorno danado. E depois eu descobri que ele deixou as crianças pilotarem o quadriciclo sozinhas e sem capacete. As crianças foram me mostrar onde tinham andado. Eu achei que tinham andado dentro da chácara. Não, eles andaram fora da chácara. Pegaram a estrada de terra e percorreram quase toda a estrada olhando fazendas e sítios. Onde caíram era bem longe da chácara. Me disseram que logo que caíram, levantaram, ligaram o quadriciclo e voltaram para a chácara. Eu achei que o pai tinha ido atrás de carro. Mas não. 

E se algum deles tivesse tido fratura exposta? E se fosse algo pior que não conseguissem levantar? Quem iria passar por aquele lugar deserto para socorrê-los?

E meu filho está empolgadíssimo com a aquisição do quadriciclo. Claro. Normal. Estranho seria se ele não estivesse empolgado. Me lembro quando eu tinha a idade dele e queria muito ter uma mobilete.

Mas eu me sinto desvalorizada sabe? Eu não tenho dinheiro para levar meus filhos para viajar. Eu gostaria de ir à praia com eles, fazer ou cruzeiro, conhecer Brotas ou passar alguns dias em um hotel fazenda em Minas. Eu também preciso sair da rotina um pouco, respirar outro ar, pisar outro chão, recarregar as energias.

Não tenho dinheiro para comprar o que eles querem. E olha que não sou de comprar muita coisa. Gostaria de poder comprar livros quando minha filha me pede ou algum acessório para a bike quando meu filho quer. Mas quem faz isso é o pai.

Dessa parte não tenho do que reclamar. O pai leva para passear e compra o que eles querem. Mas sabem qual o meu medo? Tenho medo de meus filhos quererem morar com o pai. Quando eles forem adultos o que terão de recordação para lembrar de mim? Não caminhamos juntos na areia da praia, não mergulhamos no rio. Eles não conheceram lugares diferentes comigo. Todas as vezes quando voltam das viagens eles dizem: "Mamãe, se a gente tivesse ido com você, ia ser muito mais legal. A gente precisa viajar um dia com você." - Isso me corta o coração.

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1 comentários

  1. Como eu já havia te falado... Anja... Vc realmente é resposta de uma oração... Deus envia você sempre que alguém precisa.. No caso das crianças sei que será eterno... Vou refazer minha oração agradecendo a Deus pela resposta e pedindo a ele p estender o máximo a permanecia e me orientar p fazer valer a pena..... ��

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